Mostrar mensagens com a etiqueta Escrita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Escrita. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, outubro 12

domingo, julho 11

Texto Aliterativo [2]



"Ele esteve, está e estará enjaulado. Eternamente. Era essencial existir e, embora essa existência escabrosa escapasse, ele, enrolado, evitava esse escape. Essa existência estava escrita, escrita em esmeralda. E ele espreitava, essas escapatórias. Ergueu-se e espalhou esperança. Esperou. E esperou. E esperou. Eternamente. Ele estava, está e estará enjaulado e esperançoso."

sábado, julho 10

Lipograma [1]


"Escrever sem este pequeno constituinte do português é difícil, se bem que só se quisermos escrever textos longos."

sexta-feira, julho 9

O Que São Lipogramas?


"Lipogramas são textos (ou frases), em que não se usa uma letra. Pessoalmente acho que fazer um lipograma sem usar o "z", é um bocado fácil demais, por isso brincarei apenas com as vogais.

O escritor francês George Perec, membro da OuLiPo, escreveu todo um livro em francês sem usar a letra "e": La disparition.

Esta imagem servirá de imagem para os lipogramas, e faltar-lhe-á, a letra que for suprimida no lipograma."

quinta-feira, julho 8

Texto Aliterativo [1]



"Ana acordou, assustada. A arma, assombrosa, à antiga, açoitava-lhe a alma, atordoava-lha. Acossada, alterou-se, aluou-se, alucinou. Alvoroçada, anunciou: "Antigamente ancorava-se a amizade, agora amigas atacam amigas!". Andreia, andando, ameaçou-a: "A arma? Abro a amónia? Ambas?". Andorinhas apareceram. Atracaram, apáticas, até atacarem Andreia, ariscamente. Aprovando, Ana acomodou-se, aparentando asco ante a amiga. Assistindo ao anoitecer, adormeceu."

quarta-feira, julho 7

O Que São Textos Aliterativos?



"Basicamente, são textos em que se repete a mesma letra (ou conjunto de letras), no início de todas as palavras do texto, formando uma espécie de padrão. Daí o fractal, como imagem dos textos aliterativos, pois o fractal não é nada mais do que uma repetição da mesma forma.

A aliteração é normalmente usada em poemas, e não é apenas a repetição de letras, mas sim de sons, como se pode ver nesta estrofe de Fernando Pessoa:


Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas
Brincam nos tempos das Berlindas
As vindas vendo das varandas.


Para um exemplo mais quotidiano, temos os trava-línguas, como este:

Padre Pedro prega pregos, prega pregos Padre Pedro.

Para facilitar a vida, na imagem do post (o fractal), virá a letra que se irá repetir, e depois, claro, é esperar que eu consiga escrever algo com um mínimo de sentido!"

terça-feira, julho 6

Palíndromo [1]


"Só partículas à Luci Trapos!"

segunda-feira, julho 5

O Que São Palíndromos?


"Palíndromos são palavras o frases que tanto podem ser lidos da esquerda para a direita, como da direita para a esquerda, mantendo o mesmo significado em ambas as formas.

Provavelmente o exemplo mais conhecido em português (ainda que do Brasil), é, provavelmente:

Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.

Com jeitinho, consegue-se ler das duas maneiras, tal e qual, mantendo o mesmo sentido. Neste tipo de construção literária, costumam-se ignorar os sinais ortográficos, como acentos e pontuação, e também os espaços entre as palavras.

Outros exemplos são também bem conhecidos, no entanto: Ana, ovo, osso, por exemplo, são palíndromos de uma só palavra.

O quadrado da imagem, é o Quadrado Sator. 5 palavras posicionadas em quadrado, de forma a que se possam ler da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima para baixo, ou de baixo para cima, com a palavra TENET, a formar, no meio, uma cruz. Esta engenhosa brincadeira literária remonta já há vários séculos, sendo provavelmente o mais antigo palíndromo conhecido, e será agora a imagem de todos os meus posts com palíndromos!"

segunda-feira, março 15

Gente sem nada para fazer...

...cria um blog novo! Depois de um de leitura, acho que chegou a altura de um de escrita:


Enjoy!

sábado, dezembro 12

Indecente! Indecente!

A situação é simples. A Coca-Cola promoveu um concurso, "Escrita em Dia", que, curiosamente, engloba uma componente de escrita, e uma componente de curtas. O primeiro prémio é, no caso da escrita, nada mais nada menos, do que um workshop de escrita criativa, e 500 euros em livros. Ao ver isto, o meu coração falhou uma batida, e toca lá a concorrer.

Primeira coisa a fazer, é ir ver o regulamento:

Ora bem, limite de caracteres: máximo de 2500; assinar com pseudónimo; escrever em Arial 11, com espaçamento de 1,5 entre as linhas, e as páginas enumeradas sequencialmente; enviar o trabalho em PDF, Word, ou ZIP.

Check, check, check, check. E enviei este: Pássaro de Papel.

Mostrei a várias pessoas, e as críticas foram todas boas, por isso tinha algumas esperanças. Mas não, não cheguei aos 10 finalistas. Deprimido, vou espreitar os outros finalistas. Depois de me deparar com erros ortográficos e autênticas facadas gramaticais (Indecente! Indecente!), vejo um texto que me parece demasiado grande. Curioso, copio-o para o Word, e oh! Desgraça minha, tem 4000 caracteres! Quase o dobro do limite! Verifiquei os outros textos, e cheguei à conclusão que pelo menos metade deles ultrapassa o limite de caracteres. Chateado, mandei-lhes um e-mail:

"Bom dia.

Eu participei no concurso Escrita em Dia, e não cheguei aos finalistas, mas estive a espreitar os ditos finalistas, e há alguns que não cumprem o regulamento, pois ultrapassam o limite de caracteres por muito, já para não falar dos erros ortográficos e gramaticais. Não será isto indecente?

Rui Bastos"

A resposta até que nem demorou muito:

"Caro Rui,

O número de trabalhos que respeitavam a regra estabelecida no regulamento quanto ao número de caracteres (2.500) eram muito poucos.

Por isso, no decorrer do período de inscrições, e de forma a não excluir um número tão elevado de trabalhos, comunicámos no blogue do concurso e aos participantes que nos comunicaram por e-mail, que aceitávamos trabalhos até 1 página.

Mesmo assim tivemos que excluir vários trabalhos.

Esta foi a primeira edição do concurso e temos presente a necessidade de melhorar alguns aspectos.

Obrigada pela compreensão e por ter participado.

Concurso Nacional de Imaginação e Criatividade - Escrita em Dia"


E a minha resposta:


"Bem, o meu ocupava uma página A4, e tinha mais ou menos 2500 caracteres, não sei como é que conseguiram meter 4000 e tal caracteres numa página... A não ser que não tenham cumprido nenhum ponto do regulamento, o que é interessante, no mínimo.

Obrigado pela resposta, e espero que estes aspectos melhorem se houver algum próximo concurso.

Rui Bastos"

Ora, mas isto é verdade. Acreditem eu testei, o tal texto dos 4000 caracteres ocupa, bem formatado, de acordo com o regulamento, quase 3 páginas. Para o meter a todo numa página, tive que meter a letra a 9 (em vez de 12, como dizia o regulamento), o espaçamento entre linhas ficou de 1 (em vez de 1,5, como dizia o regulamento), e só assim couberam os 4000 e tal caracteres (em vez dos 2500, como dizia o regulamento) numa só página. Indecente! Indecente!

Pergunto-me agora, para quê um regulamento? Andei eu a alterar o meu texto, para que ficasse dentro do limite, talvez piorando assim a sua qualidade, mas tudo isso em prol do cumprimento das regras, e há concorrentes que não seguem o regulamento (e talvez mesmo), não sigam absolutamente nenhum ponto do regulamento, e passam? Indecente! Indecente! Isto só prova como o concurso foi mal feito, já para não falar do júri, constituído por uma única pessoa, e é do senso comum que um júri só de uma pessoa não faz muito sentido.

Gostava de realçar que não estou a atacar o júri, o escritor José Luís Peixoto, os finalistas, que têm todos muita qualidade, e não estou, muito menos, a tentar dar cabo disto por puro mau perder. Não, nada disso. Estou mesmo a atacar a companhia que promoveu o concurso, por me sentir injustiçado. Deixam-me a perguntar: para que fizeram o regulamento? É óbvio que não foi com o objectivo de ser cumprido...

Indecente! Indecente!



terça-feira, dezembro 1

O Pássaro de Papel

Tudo começou com um simples quadrado de papel e vontade de criar. Com meia dúzia de dobras se fez um pássaro, que foi observado com satisfação, e largado algures passados alguns segundos. Com meia dúzia de estremecimentos, o pássaro levantou voo, desajeitadamente, tornando-se mais seguro e confiante a cada momento.

Durante algum tempo, contentou-se em esvoaçar por aqui e por ali, mas quando o seu criador reapareceu, ele poisou, delicadamente, perto dele. O criador nem reparou que ele não estava onde o tinha deixado e começou, instantaneamente, a dobrar outra folha.

O pássaro percebeu. Era descartável. A facilidade com que o seu criador o tinha feito era aplicável a qualquer altura, deixando o criador com liberdade para fazer quantos pássaros quisesse, tornando assim, cada um deles, insignificante.

Angustiado, o pássaro levantou novamente voo, de forma silenciosa, fugindo do seu criador, por uma janela. O ar frio embateu no pássaro, sem no entanto o afectar muito, ou não fosse ele feito de papel. Deixou-se levar pelas correntes de ar, que o elevaram cada vez mais nos céus, até que a certa altura vislumbrou algo a passar perto dele.

Recompôs-se, ganhou novamente o controlo do seu voo, reparando que não estava sozinho. Os céus estavam repletos de manchas que se moviam rapidamente em todas as direcções. Só quando conseguiu voar ao lado de uma delas, durante algum tempo, é que compreendeu.

Eram pássaros, tal como ele, mas de carne e osso, que ao contrário dele nasceram livres e não foram feitos com meia dúzia de dobras. Deixou de se sentir insignificante, para passar a sentir-se diferente e especial. Percebeu como o seu criador, apesar de toda a facilidade, tinha feito algo realmente extraordinário.

Criara-o. Não, não o tinha feito livre, e sim, podia fazer vários iguais a ele a qualquer momento, mas tinha-o criado. Num acesso de energia, voou rapidamente para a janela de onde tinha saído, mas antes de lá chegar sentiu que algo não estava bem. Os seus movimentos começavam a tornar-se mais rígidos e o seu voo desajeitado.

Era a sua vida, que se esvaía. Bateu as asas, o mais rapidamente possível, e chegou ao parapeito da janela a tempo de ver a cara sorridente do seu criador a contemplar um novo pássaro. Caiu, mais do que poisou, nesse mesmo parapeito, e ficou sem vida. O criador largou o seu novo pássaro, olhou para a janela, e viu o primeiro que tinha criado. Sorriu, aliviado, exclamando:

- Ah! Estás aí! Pensei que te tinha perdido!

sábado, outubro 3

A minha pátria é a Língua Portuguesa

Texto que escrevi para o meu teste de diagnóstico de Português:

A minha pátria é a Língua Portuguesa, uma língua cujos expoentes máximos são: um zarolho, vários homenzinhos extremamente deprimidos, e, actualmente, um indivíduo que deve vários anos à cova, e que já se esqueceu das noções básicas da pontuação.

Mas, no entanto, mesmo com todos estes... vá, "génios", a minha pátria é constantemente mutilada. Até se costuma dizer que "o Camões deve estar às voltas no túmulo", se bem, que, já deveria ser qualquer coisa mais deste género: "O Camões deve estar a pontapear e a soquear o seu túmulo, numa irascível fúria demolidora, a pensar se usa uma G3, ou algumas toneladas de explosivos, naqueles que mutilam a Língua Portuguesa".

Sim, acho que sim já estava mais de acordo com os dias de hoje. Isto, porque num país onde praticamente todos (desde alunos, a políticos!), dão erros gravíssimos, não há outra hipótese.

Claro que também há quem escreva, e fale, como deve ser, mas é uma percentagem tão mínima, que os estatísticos até a devem desprezar.

Como é fácil de ver, esta situação não abona nada a favor da minha pátria. Se a Língua Portuguesa fosse uma pessoa, seria o maior cromo possível, assim uma espécie de rapaz franzino e fraquinho, daqueles completamente espancados pelos rufias.

Milhões e milhões de rufias, neste caso.