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sexta-feira, janeiro 8

Labrego: Polivalência e Brasileirismos

A verdade é que o Labrego é uma língua muito versátil. Tão versátil, que nem se preocupa em ter uma única grafia para cada palavra, mas sim 3 ou 4 diferentes. E mais do que isso, o Labrego é uma linguagem que pura e simplesmente se está a borrifar para as letras.

"Encontran-se" ou "Encontram-se"? Tanto faz! "Comboio" ou "comboiu"? Não interessa! "Chave" ou "Xave"? Um qualquer! Bem vistas as coisas, é de facto uma língua muito prática. Na dúvida... serve qualquer coisa, desde que produza o som que queremos.

Daí que por vezes o Labrego seja difícil de perceber, e tenha que ser lido alto e bom som. Convenhamos, "spirru", não é de muito fácil compreensão, assim de repente, mas se tentarem ler aquilo, até que percebem o que lá diz. Nisso, o Labrego é uma língua muito descontraída, o objectivo é transmitir a mensagem, se as palavras estão bem escritas ou não... é secundário.

E agora os Brasileirismos. Estes nossos amigos são factores linguísticos introduzidos pelos nossos irmãos mais novos, os brasileiros. Curiosamente, fomos nós que os colonizámos, e lhes ensinámos português, mas o português deles evoluiu de tal maneira, que já são eles a influenciar o nosso. Estranho? Completamente. Mas para o Labrego, é algo de muito bom.

Por exemplo, desaparecem todas as letras mudas (algo que vai ser introduzido pelo novo Acordo Ortográfico, mas isso não interessa, não falo de coisas assim tão parvas neste blog). Logo, formam-se as mais variadas coisas, desde "setor", "olofote", "ipopótamo", "batizado", etc. É no fundo uma forma de simplificar a escrita. "Se é mudo, não faz lá falta", dizem os especialistas.

Dentro desta categoria de factores linguísticos, temos ainda palavras, expressões e formações gramaticais, como "pimbolim", "aeromoça", "todo o mundo", "eu quero você", "que está fazendo?", entre outras coisas.

sábado, novembro 7

Labrego: A Fonética e a Escrita

Primeira grande regra do Labrego: Escrever como se fala. Isto faz com que praticamente cada falante tenha o seu próprio dialecto, o que complica a generalização, mas eu vou tentar.

Esta relação entre a fonética e a escrita, é mais acentuada em regiões com sotaques mais acentuados, como no Norte, nas Ilhas, e afins. Porquê? Ora, se durante toda a vida dizem "baca" em vez de "vaca", antes mesmo de aprenderem a escrever, é normal que depois saia "baca". Como já devem ter reparado, isto acontece mais com a troca do "v" pelo "b", mas há outros casos... hilariantes, como a troca do "ç" por "ss", e vice-versa, dando origem a "messa" em vez de "meça", e de "maça" em vez de "massa".

E como deixar de fora a invenção de letras onde elas não existem? Pensem na palavra "frente". Se tivermos uma boa dicção, e a dissermos como deve ser, tudo bem. Agora digam-na lá devagar. O "f" lê-se "fe", e lido devagar, sai, ou quase que sai, um "ferente". E já agora, a supressão de letras: "experimentar", muitas vezes transforma-se em "exprimentar".

Para acabar em grande, falemos nos estrangeirismos. Toda a gente sabe o que é uma "t-shirt". Só que é uma palavra inglesa lá está. E a população portuguesa, na sua grande maioria, nomes estrangeiros só acerta o dos jogadores de futebol. Em labrego, "t-shirt" costuma ficar "ticherte". E nomes de marcas e empresas ainda pior, porque têm várias grafias e pronúncias. "MacDonald's", tanto pode ser "MaqueDonaldes" ou "MaqueDonaldas", e o famoso Freeport, desde "Fripór" a "Fripér".

Agora experimentem pedir a um falante de Labrego para escrever "Arnold Schwarzenegger"...

sábado, outubro 24

Labrego: Introdução

O Labrego. A língua oficialmente não-oficial de Portugal. Todos sabemos que em Portugal se fala Português, faz sentido. Também se fala Mirandês, mas é uma minoria. Aquilo que todos sabemos, mas não nos apercebemos, é que existe uma terceira língua, falada por 90% da população portuguesa no dia-a-dia. É o Labrego.

Esta língua oficialmente não-oficial, é, basicamente, constituída por uma série de deturpações (no melhor sentido, claro está) da nossa língua original. Mistura-se algumas coisas novas de outras línguas, vai-se buscar uma pitada de português antigo, e junta-se-lhe uma grande dose de absurdo, e pimba, temos o Labrego.

Ora, o que é que é preciso saber sobre o Labrego... Antes de mais, que facilmente se confunde com o Português, pois em grande parte, o Labrego não passa de uma série de erros em Português. Que todo aquele que fala Português, consegue perceber a maioria do Labrego, e que todo aquele que fala Labrego, não conhece o Português. Ou se conhece pensa que é algum partido pequeno e obscuro.

Bem, eu vou ensinando algumas coisas de Labrego, para aqueles que gostam de estudar línguas, para aqueles que têm curiosidade em conhecer aquilo que já conhecem mas não reparam, ou para aqueles que gostam de gozar com as coisas. É o meu caso, ficam já a saber.