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terça-feira, dezembro 15

Turno da Noite



Uma espectacular mini-série de animação, com 8 episódios, simplesmente genial. A animação, as vozes, a música, o argumento... tudo simplesmente espectacular. E sim, já passou na televisão... na RTP, às 5 da manhã!

Como simplesmente adorei esta mini-série, que me foi sugerida pela Beky, do blog Dias Soltos, decidi-me a, tal como ela, divulgar a série, para estas coisas não aconteçam, e tenhamos séries de qualidade (ainda por cima é portuguesa!) a passar em horários decentes!

quarta-feira, agosto 5

O Barco do Rock

Anos 60. Inglaterra. O Governo permite 2 horas de Rock & Roll. Mas as pessoas querem mais. É assim que surge a Radio Rock, uma irreverente rádio pirata, que emite a partir de um barco, ancorado no meio das águas frias do Oceano Norte. Como é óbvio, o Governo não acha muita piada a isso, e tenta fechar a Radio Rock, a todo o custo, inventado leis, e procurando qualquer maneira de aproveitar as leis existentes para conseguir o seu objectivo.

E desde o princípio que os irreverentes DJ's a bordo do barco lutam contra o Governo. E desde o princípio que acompanhamos Carl, um jovem que é mandado para o barco pela sua mãe, para se "endireitar" (embora o barco seja o PIOR sítio para o fazer, como as personagens dizem várias vezes ao longo do filme), por causa de Quentin, o chefe da Radio Rock, ser seu padrinho.

Uma dúzia de personagens mais do que interessantes, desde o Conde, o único americano a bordo, até Gavin, o melhor e mais famoso DJ de sempre, passando por Mark, o homem mais sexy do planeta, que raramente abre a boca. Mesmo quando está em tempo de antena. Juntam-se a eles Angus Nutsford, o maluquinho do sítio, 'Dr' Dave, o cómico e irreverente DJ, Simple Simon, que se casa no barco, casamento esse que dura 17 horas. Há ainda mais personanges, todas elas interessantes, e a maior parte, irreverentes, e completamente maluquinhas.

É um grande filme, que retrata bem a luta 'rádios piratas vs governo', que aconteceu mesmo em Inglaterra, nos anos 60, e que conta com uma banda sonora do outro mundo, com músicas dos The Who, The Beach Boys, Jimi Hendrix, David Bowie, entre muitos outros nomes sonantes da indústria musical.

Bom, do princípio ao fim, com as doses certas de comédia, drama, suspense e MUITA parvalheira, este é daqueles filmes que todos aqueles que gostem de rock têm que ir ver. Ou quem goste de dar umas boas gargalhadas. Ou de música em geral. Ou de filmes. Acho que estou a generalizar demais, mas também acho que também já deu para perceber a ideia: Vão ver!

segunda-feira, agosto 3

A Ressaca

Hilariante. Simplesmente hilariante. Apesar de estar numa sala completamente cheia (10 pessoas, a contar comigo), e uma rapariga atrás de mim, que disse 'oh god' tantas vezes, que só podia ser politeísta acérrima, foi um dos melhores filmes que tenho visto nos últimos tempos no cinema.

Começa o filme, e Doug está-se a preparar para o seu casamento, juntamente com o irmão da sua noiva, Alan. No momento a seguir, vemos Doug e Alan a partir no Mercedes descapotável, que é o bem mais precioso do pai da noiva de Doug. Vão buscar Phil, um professor que odeia o seu trabalho, e Stu, um dentista com uma namorada controladora e obsessiva. Juntos, os 4 vão para Las Vegas para a despedida de solteiro de Doug.

E é ai que descamba tudo. Num momento estão a beber no telhado do hotel, e no momento seguinte Stu, Phil e Alan acordam num quarto completamente destruído, com um bebé no armário, um tigre na casa de banho, um dente a menos na boca de Stu, e Doug, o noivo, desaparecido, sem se lembrarem absolutamente de nada. E então começa uma busca para encontrarem Doug, uma vez que este se vai casar no dia seguinte.

Como é óbvio, nada corre bem, e o trio passa pelas situações mais hilariantes, desde Stu, que descobre estar casado com uma stripper, a Phil, que descobre ter estado no hospital, passando por Alan, que leva um soco do Mike Tyson (que fala à sopinha de massas que é uma coisa irritante), e culminando no pequeno-mafioso-filho-da-mãe-completamente-apaneleirado-chinoca que estava preso dentro do porta-bagagens do Mercedes.

Já mencionei que roubaram um carro da polícia?

segunda-feira, julho 27

Hellboy

Hellboy. Um nome que sozinho já assusta. Juntamos ao nome um gajo de 2 metros, vermelho vivo, com uma mão feita de pedra, cauda, com um par de cornos serrados e uma pistola maior que a cabeça de muita gente, e temos algo realmente avassalador. Adicionemos-lhe um "sereio", um humanóide com membranas interdigitais, azul, olhos de alien, guelras, um estranho gosto por ovos podres e uma capacidade psíquica, mais uma "mulher-tocha-humana-que-não-consegue-controlar-o-fogo", e temos divertimento garantido.

Ora, calhou que eu um dia destes, descobrisse um pack de colecção, com os dois filmes, pelo preço de 1. Hesitações para quê? Saltou para dentro do carrinho de compras antes que conseguissem dizer hipopotomonstrosesquipedaliofobia. Cheguei a casa e vi o primeiro, que já tinha visto na televisão. E hoje vi o segundo, que me faltava.

E ahhh, que foram boas estas visualizações. Hellboy tem aquele aspecto de demónio mal amanhado, mas é um coração mole, embora algo mal-criado e convencido. Parece que não combina, mas é por causa disso mesmo que se torna hilariante!

O primeiro filme é bom, começa por contar a história de como é que esta estranha criatura cor de Benfica veio cá parar, e da sua luta, (já adulto), contra um russo maluco que não morre, uma russa maluca que não morre, e um estranho morto ambulante que não morre. Tudo isto para tentar evitar que um grande Deus esquecido desça sobre a Terra e mate o pessoal todo.

O segundo filme, é igualmente bom. Começa com mais uma visualização da infância de Hellboy, e devo dizer, antes demais, que ver aquele grande monstro mauzão, do tamanho de uma criança de 8 anos, com os cornos mal cortados, dentes tortos, magricela, e agarrado a um peluche, é absolutamente espectacular. Mas bem, depois jutam-se à história seres que permaneceram escondidos durante anos, e cuja principal caracterísica é a pele mais branca que um suíço nascido e criado num subterrâneo. Mais uma data de criaturas estranhas, como o Anjo da Morte, que é apenas creepy as hell, e uns trolls e ogres aqui e ali. Muita porrada por causa dum exércio de Armaduras Douradas, virtualmente indestrutível.

Agora umas dúvidas. No primeiro filme, o russo maluco diz que sempre que morre, um bocado mais do seu Deus, regressa com ele. Ora nesse caso, porque não suicidar-se várias vezes seguidas, até se tornar um Deus? E no segundo filme, dizem várias vezes que há "70 vezes 70 soldados dourados". Será assim tão complicado dizer 1400 soldados dourados?

Enfim, mistérios que os filmes gostam de criar... Mas não é por isso que eu deixo de os ver, por isso quero lá saber!

quinta-feira, julho 16

Harry Potter e o Príncipe Misterioso


Bem, o que é que posso dizer? Como qualquer filme baseado num livro, acaba por ser ligeiramente decepcionante para quem o leu, e foi isso que aconteceu. Mas, mesmo com esse pequeno pormenor, foi o melhor filme da saga até agora. E o mais cómico.

A história é a história do costume: Voldemort e seguidores fazem muita porcaria, Harry Potter e companhia tentam resolver essa porcaria enquanto evitam serem mortos, e, surprise surprise, o Dumbledore morre!

Sim, peço desculpa, para quem não leu o livro nem viu o filme, é um bocado chato saber o final antes dele acontecer, mas bem, não havia hipótese, e já toda a gente minimamente atenta sabia que o Dumbledore morria no 6º livro/filme.

A cena em que o Dumbledore e o Harry vão buscar o Horcrux (que é falso) e são atacados pelos Inferi (nome que nunca é referido no filme, mas acreditem em mim, é o nome que dão aquelas coisas assustadoras e nojentas no livro), está exactamente como eu a tinha imaginado na minha cabeça. Mas é que exactamente. Até fiquei parvo, e aí tenho que dar os parabéns à produção, que conseguiu ser fiel ao livro.

Por outro lado, faltou a maior parte da acção do livro! Já no final, não mostraram a porrada entre os Devoradores da Morte e os Aurors. Traduzindo, entre os maus e os bons. E o Fenrir, o lobisomem (o mau lobisomem), não se transforma e morde o Billy Weasley, que era um aspecto interessante no livro.

Mas pronto, tirando isto, estava muito bom, e tenho que dizer que estava à espera que não fosse nada de jeito e gostei!

sexta-feira, julho 10

Cidade das Sombras


Baseado no livro com o mesmo nome, de Jeanne Duprau, "Cidade das Sombras" é a história de Doon Harrow e Lina Mayfleet, dois adolescentes da Cidade de Ember, uma cidade subterrânea construída há mais de 250 anos atrás, para salvar a Humanidade da extinção. Na altura, uma caixa com as instruções de como sair da cidade foi dada à primeira Mayor da cidade, e a caixa foi passando de Mayor em Mayor, até que um deles faleceu repentinamente no escritório, e a caixa foi então passada de geração em geração, dentro da família, e acabou esquecida guardada num armário.

Passado o tempo estipulado para ela abrir, a caixa abre-se, mas ninguém repara, e ela continua no armário. Enquanto isso Doon e Lina são designados para os seus empregos, numa cerimónia, e Doon fica como Mensageiro, e Lina como Trabalhadora da Canalização. Ambos descontentes com os trabalhos que receberam, trocam, e ficam os dois felizes da vida.

Depois Lina descobre a caixa com a instruções para sair de Ember, e descobre que é descendente directa do 7º Mayor da cidade, o que morreu e deixou a caixa na família. Ela e Doon, decidem então procurar a saída, com Bill Murray no papel de actual Mayor, a dificultar-lhes a vida.

Tenho que dizer que fui ver este filme no impulso do momento. Ia ver outro, mas não me deixaram, 'ah e tal és muito novo', e tive que escolher outro. Ora, ou era este ou os Transformers 2 (NO THANK YOU!) ou uma qualquer comédia romântica com a Sandra Bullock (IDEM IDEM ASPAS ASPAS!). Ora, conhecia o livro (já tinha olhado para a capa) mas não conhecia a autora de lado nenhum, e não era livro que me desse vontade de ler. Nem filme que me desse vontade de ver. Mas foi no impulso, parecia razoável e tal, pimba. E excedeu as quase nulas expectativas que tinha, sendo um filme bastante razoável, com uma cena de início que tenho que dizer que adorei, e uma história e enredo verdadeiramente interessante.

Até me deixa a pensar se não hei de ler o livro...

sábado, junho 27

Abhorsen e os Hemisférios de Prata

A conclusão da trilogia de Garth Nix, é uma continuação mais imediata que a anterior. O 2º livro passa-se 14 e 18 anos depois do 1º, ao passo que neste não há nenhum salto no tempo, pega na história exactamente onde a deixou. Isso torna-o muito mais... interessante, vá. No 1º livro, aquilo ficou praticamente acabado, não havia muita coisa a acrescentar de interesse, e o 2º foi quase só introdução a coisas novas. Só que ficaram a meio, e o 3º livro veio dar uma conclusão e um fim às pontas soltas do 2º livro.

Um bocado confuso, eu sei, mas pronto! O que eu quero dizer com isto, é que este foi o meu preferido dos 3 livros. Sameth torna-se muito mais interessante, e há uma clara evolução na personagem de Lirael. A situação de Mogget (o gato branco, um espírito da Magia Livre, aprisionado há mil anos, e obrigado a servir os Abhorsen, de quem eu acho que me esqueci de falar...) é um completo mistério durante a maior parte do livro, até ao final, onde toma um caminho completamente imprevisível!

Uma grande surpresa está também destinada à Cadela Desavergonhada, que se revela ser muito mais do que se pensava, embora já houvessem alguns (muitos) indícios disso mesmo. A história de Nick, o amigo de Sameth, e de Hedge, o necromante malvado, (duas personagens que eu acho que também não referi, ou referi muito pouco nos outros posts), adensa-se, e tem mais "tempo de antena" neste livro, pois acaba por se tornar o principal.

Para acabar, um final quase apocalíptico, que tenho que dizer que gostei, especialmente de alguns pequenos pormenores que achei simplesmente espectacular! Quando à escrita, continua a mesma, rápida, descritiva q.b., e agradável. Já a tradução... Há uma parte em que se fala de 'uma sensação de já visto'. Isto é claramente má tradução. 'Já visto' é a tradução literal de dèja vu, que NUNCA se traduz. Mas pronto, nem tudo podia ser perfeito...

quinta-feira, junho 25

Lirael - A Rapariga do Glaciar

O segundo livro nesta trilogia de Garth Nix, continua a história do livro anterior, 14 e 18 anos depois. Sabriel e Touchstone, já casados e com dois filhos, Sameth e Ellimere, governam o Reino Antigo. Mas na minha opinião, a melhor parte do livro é a história paralela que nos é apresentada. A história de Lirael, uma Filha das Clayr, que, por ser diferente de todas as Clayr, está constantemente a tentar integrar-se.

Lirael é posta a trabalhar na biblioteca e com a ajuda de um livro, cria uma amiga, a Cadela Desavergonhada, que é mais do que parece à primeira vista. Algum tempo depois, Lirael encontra as 7 flautas de Pã, o Espelho Negro e o Livro da Lembrança e do Esquecimento, e torna-se uma Lembradora, alguém que consegue ver o passado.

Já quase no final do livro, Lirael e Sameth encontram-se, e juntos vão até à Casa de Abhorsen, onde Lirael descobre que é meia-irmã de Sabriel, a mão de Sameth, e consequentemente, sua tia. Chocados com esta notícia, chegam à conclusão que Lirael deve ser a Futura Abhorsen, e não Sameth, que fica aliviado com esta descoberta.

Uma boa continuação, e devo dizer que vi logo duas coisas quando ia a meio do livro. Não gosto do Sameth, mesmo nada, e Lirael é quase de certeza a minha personagem preferida de toda a trilogia, até agora. Sameth não passa de um rapazinho cobarde, que teve a sorte de ser filho de quem é, e por causa desse legado ser um Mago da Carta poderoso. Já Lirael... Sem saber quem era o seu pai, e completamente isolada do resto da sua comunidade, acaba por fazer grandes coisas sozinha. Derrotou um grande mal na Biblioteca, criou a Cadela, e descobriu os artefactos que fizeram dela uma Lembradora. Mais tarde, tornou-se a Futura Abhorsen.

Tal como o livro anterior, uma escrita rápida, mais concentrada na história que outra coisa, mas com um enredo mais complexo, ao invés do enredo mais linear do livro anterior. Mas continua excelente. As partes do Sameth eram um bocado irritantes, mas pronto eu não gosto dele, sou suspeito!

sábado, junho 20

A Missão de Sabriel


O primeiro livro desta trilogia escrita por Garth Nix, é uma introduão perfeita a este mundo. A Muralha separa o Reino Antigo de Ancelstierre, estando o primeiro repleto de Mortos que caminham sobre a terra, e o segundo relativamente seguro. Sabriel é uma necromante, filha de outro necromante, conhecido como Abhorsen, e, com 16 anos, encontra-se a salvo dos mortos do Reino Antigo, no Colégio de Wyverley. O seu pai visita-a de vez em quando, ensinando-lhe a necromancia, enquanto pelo colégio, ela aprende a Magia da Carta.

Mas uma noite, o pai não a visita, e em vez disso, envia-lhe a sua espada e os seus sinos de necromante. Sabriel acha estranho, e acha que o pai só pode estar morto, ou em vias de morrer, por isso vai à sua procura. Uma vez no Reino Antigo, vai até a Casa de Abhorsen, onde conhece Mogget, um misterioso gato branco, que é, afinal, um espírito de Magia Livre, tão antigo quanto a Muralha, aprisionado e condenado a servir os Abhorsen. Juntos partem em busca do pai de Sabriel, a voar numa Asa de Papel, uma construção dos Abhorsen.

No caminho são atacados, e a Asa de Papel despenha-se e é destruída, caindo dentro de um buraco fundo, onde Mogget, liberto da sua coleira, tenta matar Sabriel, como vingança por estar preso, mas Sabriel consegue voltar a aprisioná-lo, e encontram uma galeria que os leva até outro recinto, onde se encontravam vários barcos, tendo um deles, um jovem aprisionado. Sabriel entra na Morte, e traz o seu espírito até à Vida, libertando-o da sua prisão de 200 anos. Ele agradece-lhe, mas não se lembra do seu nome, por isso Mogget chama-lhe Touchstone, como referência a algum acontecimento passado, que só os dois se lembravam e sobre o qual não podiam falar, subjugados por algum feitiço.

Agora com Touchstone para os guiar, os três partem juntos, novamente em busca do pai de Sabriel, e no caminho ajudam uma cidade a libertar-se dos Mortos que os estavam lentamente a matar. Chegam, por fim, a Belisaere, onde encontram um reservatório subterrâneo, onde está o corpo do pai de Sabriel, preso na Morte, para se salvar a ele próprio de Kerrigor, um Adepto da Morte. Sabriel mergulha na Morte, e traz o pai de volta à Vida, mas apenas por alguns momentos, o suficiente para ele lhes dizer para fugirem, e para tocar o Astarael, o sino que leva para a Morte todos os que o oiçam. Mogget fica lá, e Touchstone e Sabriel fogem até Ancelstierre, levados por outra Asa de Papel, que lhes foi dada por duas Clayr, habitantes dos glaciares.

Chegados a Ancelstierre, vão em busca do corpo de Kerrigor, e quando não conseguem abrir o sarcófago, levam-no até ao colégio de Sabriel, para que as alunas das aulas de Magia, e a professora de Magia os ajudassem com essa tarefa. Kerrigor vai também até ao colégio, e no meio da batalha, o sarcófago é aberto, e Kerrigor é mandado de volta para o seu corpo. Mas isto apenas o enfraqueceu, tal como enfraqueceu Sabriel, e ele conseguiu agarrar em Sabriel, e preparava-se para a matar, quando Sabriel o aprisiona da mesma maneira que tinha aprisionado Mogget. Num último esforço, Kerrigor atira a espada de Sabriel contra ela, e prepara-se para matar Touchstone, quando o aprisionamento faz efeito, e o transforma num gato, preto.

Sabriel, mergulhada na Morte, desce o rio até ao último Portão, até que todas as gerações de Abhorsen antes dela a convencem a voltar para trás, e a viver.

Uma bela história, de acção rápida e condensada. O livro é pequeno, mas tem uma quantidade de coisas que até parece impossível. A maneira como aborda a necromancia, especialmente pela parte dos Abhorsen, é interessante, e a escrita é rápida, sem se demorar muito em descrições, concentrado-se na história, dando um ritmo rápido à história. Parece que tudo acontece muito depressa! Um bom livro, mais do que aconselhado!

segunda-feira, junho 15

Drácula


Um verdadeiro clássico, a história do Conde Drácula, é-nos contada através de um conjunto de diários: o de Jonathan Harker, o de Mina (e mais tarde Mina Harker), o de Lucy Westenra e o do Dr. Seward, bem como um memorando ocasional de Van Helsing.

A história começa com Jonathan Harker de visita ao castelo do Conde, na Transilvânia, para tratar dos assuntos relativos à casa em Londres que Drácula quer comprar. Acaba por ser sequestrado, recebendo uma visita das 3 noivas de Drácula, e quase enlouquecendo ao se aperceber do que lhe estava a acontecer. Mas consegue escapar, embora fique muito doente.

Depois são-nos apresentadas um conjunto de cartas, trocadas entre Mina e Lucy, até que decidem encontrar-se. Durante a estadia juntas, Lucy é mordida pelo Conde (embora essa só lá cheguemos indirectamente, pois nunca se diz mesmo isso no livro). Ora, Lucy tinha 3 pretendentes, o Dr. Seward, dirigente de um manicómio (e 1 daqueles cujo diário lemos), Quincey Morris, o americano imperturbável, e Arthur Godalming, o filho de um Lorde. Lucy decide-se por Arthur, e os outros dois ficam a ver navios, embora lhe jurem amizade. O mais interessante? Os 3 conhecem-se e são bons amigos. Ora, quando Lucy é mordida, e uma qualquer doença estranha se abate sobre ela, o Dr. Seward chama o seu antigo professor e amigo, Van Helsing, uma mente brilhante em vários campos da ciência.

Como eu fiquei feliz quando li o nome de Van Helsing. Sempre ouvira falar deste poderoso caçador de vampiros e demónios na generalidade, e sempre o admirara enquanto personagem. Como eu fiquei desiludido quando o seu cabelo e bigode brancos, que repousavam na sua cara já sulcada de algumas rugas, são descritos. O tenebroso caçador de vampiros holandês... é velho. Enfim, adiante: Van Helsing chega à conclusão que Lucy foi mordida por um vampiro, mas não a consegue salvar da morte, e então, com a ajuda dos 3 pretendentes de Lucy, mata a "falsa-Lucy" como lhe chamam no livro, devolvendo a alma da pobre Lucy ao descanso.

Mais tarde, quando tudo parecia já bem, descobre-se que o Conde pretende fazer de Londres a sua nova residência, e a partir daí criar uma nova hoste de mortos-vivos. Por isso, todos juntos, iniciam o trabalho de purificar os esconderijos do Conde, para que ele não possa lá voltar, usando o manicómio do Dr. Seward como base de operações. Azar dos azares, nesse mesmo manicómio está instalado um louco chamado Renfield, que é uma espécie de servo de Drácula, e que a certa altura o convida para entrar no manicómio. Uma vez lá dentro, o Conde tem liberdade de movimentos, e por isso morde Mina, e infecta-a com o seu sangue. Ou seja, quando Mina morrer, irá tornar-se um vampiro, e mesmo antes de morrer, os traços do vampirismo irão começar a surgir nela.

Decididos a impedir que isso aconteça, o grupo parte todo para a Transilvânia, para matar de vez o Conde, e depois de matarem também as suas 3 noivas, conseguem reduzir o Conde a pó. Durante a batalha com os ciganos que transportavam o Conde, Quincey é ferido, acabando mesmo por morrer. Uns anos mais tarde, já com Arthur e o Dr. Seward casados, e Mina e Jonathan já com um filho, vemos que embora esse filho reúna os nomes do pequeno grupo, todos lhe chamam Quincey. E assim acaba o livro, com Van Helsing a dizer que não precisam de provas para dizer que aquilo tudo aconteceu, apenas precisavam de o saber, e que o mundo estava livre daquele mal.

Um livro brilhante, enciclopédico, onde aprendemos muito sobre os vampiros em geral, e que está escrito à boa maneira antiga inglesa, de uma maneira muito formal, com todos os contactos entre personagens muito formais. É um livro um bocado... chato às vezes, pois como está escrito sobre a forma de diários, às vezes há pouca acção, e muito quotidiano, mas no geral, está muito bom.

domingo, junho 7

Nómada

Tenho de confessar que fiquei agradavelmente surpreendido. Stephenie Meyer, a autora da saga Crepúsculo, tem uma escrita simples, mas cativante. Quando este livro primeiro saiu, nem lhe dei muita atenção, por ser da mesma escritora que escreveu o Crepúsculo e sequelas. Essa tetralogia era (e é) tão popular que até chateia. Tantos maluquinhos por aquilo, 'ai o meu Edward, aiaiaiaiai'. E a história nunca me pareceu ser assim alguma coisa de especial. Vampiro gosta de mortal. Complicações óbvias. Pouco mais que isso. Uma espécie de Romeu e Julieta, versão gótica. Pelo menos é o que me parece pois nunca li nenhum desses livros.

Já Nómada, quando vi a sinopse, chamou-me a atenção.  Duas "pessoas" no mesmo corpo, debatendo-se com a partilha dos sentimentos uma da outra. Isto sim, é uma história que chama a atenção. E embora estivesse um bocado apreensivo quando o comecei a ler, tenho de dizer que gostei. É realmente uma história diferente, e conta com alguns pontos positivos, pelo facto de ser contada na 1ª pessoa, embora a parte que eu mais gostei, tenha sido a parte onde a história é contada na 2ª pessoa do plural! Num momento em que as duas "pessoas", se "sincronizam", o eu passa a nós. E isso sim, é original.

A história assenta numa base simples: uma espécie alienígena invade vários planetas, incluindo a Terra, e usa os corpos dos seus habitantes como hospedeiros. E é através dos olhos de um desses hospedeiros "possuídos", que a história nos é contada. A hospedeira é Melanie Stryder, e a Alma que a ocupa é Nómada. Só que, ao contrário do que é normal, a mente da hospedeira não deixa o corpo, conseguindo falar por pensamentos com Nómada, e partilhando ou bloqueando as suas memórias à Alma que habita o seu corpo.

Sendo a espécie invasora, mais do que pacífica, e simpática e bem-intencionada com toda a gente (uns secas, resumindo), os sentimentos avassaladores que Melanie transporta com ela no corpo partilhado com Nómada, são algo de novo e aterrorizante para esta última. Mas, no meio disto tudo, Nómada acaba por partilhar do profundo amor que Melanie sente pelo irmão mais novo, Jamie, e pelo namorado, Jared. Por causa deste sentimento, Nómada parte em busca dos dois, em parte persuadida por Melanie, em parte por vontade própria. Encontra-os a viver com um grupo de Humanos fugitivos, a viver numas grutas descobertas pelo tio de Melanie, Jeb.

Passado um período de difícil adaptação, Nómada é aceite no grupo, e participa nas tarefas diárias, e, embora Melanie continue apaixonada por Jared, a Alma apaixona-se por Ian. No fim, e depois de um dos Humanos morrer, e outro ser morto, e de começar a participar nos raides para ajudar a pequena comunidade, Nómada é mudada de corpo, contra a sua vontade, e continua a viver com aquele grupo.

O mais interessante neste livro? O confronto constante entre Nómada e Melanie, e entre os seus sentimentos e pensamentos. Convivendo no mesmo corpo, com Nómada a ter acesso às memórias da hospedeira, o que cada uma sente e pensa, começa-se a tornar difuso. Muitas das acções de Nómada são baseadas em sentimentos que ela não sabe se são dela, ou reminiscências das memórias de Melanie. Este estranho e brilhantemente escrito confronto mental e emocional, é o centro de toda a história, e aquilo que torna este livro algo digno de ser lido.

quinta-feira, junho 4

AC/DC - Black Ice Tour


Nada daquilo que eu possa dizer pode descrever este concerto.

Dia 3 de Junho, casa-de-banho. Perdão, Estádio de Alvalade. Para abertura tivemos os Vicious 5 (não vi) e os Mundo Cão (já só apanhei 2 músicas), e depois vieram os AC/DC. O vídeo de abertura estava lindo, e serviu para introduzir a Rock 'n' Roll Train, que ficou um espectáculo. As melhores músicas foram: Back in Black, Thunderstruck, Hells Bells, War Machine (também com um espectacular vídeo), You Shook Me All Night Long (de longe, a melhor música deles), T.N.T., e para encore, Highway to Hell e For Those About to Rock (We Salute You). Tocaram mais, claro, mas são muitas, dá muito trabalho a escrever.

Momento alto da noite? STRIP! É verdade, Angus Young, do alto dos seus 54 anos, fez um striptease. A bóina cai, ele tira o casaco, tira a camisa, prepara-se para tirar os calções, tira, e... boxers a dizer AC/DC! Tirando a parte da ligeira flacidez (vá, um desconto, o homem já não é novo), foi verdadeiramente um dos momentos altos da noite. Melhor que isto, só mesmo o solo. Bem, o homem teve ali uns bons 15/20 min a tocar sozinho, na maior. Ele deitou-se no chão, ele rebolou, ele tocou com a guitarra em cima da cabeça, ele saltou, ele pulou, ele fez tudo e mais alguma coisa. Não sei como é que o homem aguentou. Eu, com um pouco mais do que 1/3 da sua idade, se fizesse 1/10 do que aquele homem fez durante o concerto inteiro, caía para o lado. A sério, aquele guitarrista é um autêntico demónio.

O resto da banda também esteve bem, claro. O vocalista (o 3º na história da banda, descobri à pouco) Brian Johnson, com a corridinha para se pendurar no sino durante a Hells Bells, esteve bem. Ok, o pé falhou a argola de apoio, mas ninguém reparou... E tanto o outro guitarrista, Malcom Young, como o baixista, Cliff Williams, e o baterista, Phil Rudd, estiveram bem, claro, mas o destaque vai mesmo para Angus Young.

Com o seu estilo de rock musculado, os AC/DC são uma das melhores bandas do mundo, com Angus Young a estar, provavelmente, no top ten dos melhores guitarristas, e este concerto foi a prova disso.

Como diria uma amiga minha: Brutaaaaal!!

quarta-feira, maio 27

Kôt

Kôt, um grande livro de Rafael Ábalos, o autor de Grimpow, outro grande livro. Kôt conta 3 histórias completamente distintas umas das outras, e que lentamente se vão juntando e interligando. Dum lado seguimos a história de Walter Stuck, um assassino, grão-mestre de uma diabólica seita secreta , chamada Kôt, que é um código para Gótico, e a sua procura pela Essência do Mistério. Do outro seguimos a história de dois adolescentes sobredotados, Nicholas Kilby e Beth Hampton, participantes na EEJA, a Escola Experimental de Jovens Astronautas, um projecto de Kenneth Kogan, enquanto jogam o jogo dos mistérios infinitos, para chegarem à Essência do Mistério. Por fim, na terceira história, temos Aldous Fowler, um detective de homicídios, a investigar, juntamente com a Tenente Taylor, do FBI, o caso do Prestidigitador, um assassino que mata talentosos cientistas.

O interessante, além dos vários códigos encontrados por Nicholas e Beth, é a forma como as histórias se cruzam. Descobrimos que tanto Walter, como Nicholas e Beth, estão atrás da Essência do Mistério; que Walter é o Prestidigitador, o assassino procurado por Aldous; que Walter casa com Susan Gallagher, a "irmã" de Aldous (não é irmã, é irmã gémea do melhor amigo de  Aldous, que é assassinado quando eram novos, passando assim Susan a ver Aldous como irmão e vice-versa); que Nicholas e Beth descobrem coisas que ajudam o caso de  Aldous; quando Aldous descobre a Fundação Universo, um grupo de cientistas que está a ser morto por Walter , e que está na base do jogo dos mistérios infinitos de Nicholas e Beth.

Enfim, isto emaranha-se tudo, é giro. No final, Walter , com os seus capangas, rapta Nicholas e Beth e os mantém prisioneiros, Susan descobre a verdadeira identidade de Walter , e foge, encontrando a polícia, que cercou a casa de Walter. Este desiste, cortando a sua própria cabeça com uma guilhotina, e Nicholas e Beth são soltos. Claro que no meio disto tudo há alguma porrada, principalmente virtual, e uma coisa estranha. Transferência de mentes, é muito estranho mesmo. Antes da pessoa morrer, metem-lhe umas agulhas pelos olhos e lêem-lhe a mente, sugando-lhe o cérebro de seguida, preparando-se para transferir essa mente para outro corpo.

Excelente, uma história complexa, com muitas coisas emaranhadas, mas excelente.