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terça-feira, abril 5

Ontem reparei numa coisa

Que é a seguinte: há uma forte relação de identidade entre as alturas mais desprezíveis da minha vida e as alturas em que frequento casas de banho públicas.

Desprezíveis porquê? Pelo simples facto de, nessas alturas, chegar mesmo ao ponto de pensar para mim mesmo "como eu gostava de ser gaja". Porque é que penso isso? Bem, pode ser por várias razões, como levar uma cacetada num sítio que eu cá sei.

Mas a verdade é que eu realmente reparei que a maior parte dessas alturas coincide exactamente com os dias em que tenho que entrar e utilizar uma casa de banho pública. É que os gajos são uns autênticos javardos. Não, a sério, é revoltante e absolutamente nojento. Uma casa de banho pública masculina é um verdadeiro catalisador de vómito.

Para começar, ainda não entrei numa única que não cheirasse pior que o hálito de alguém que acabou de vomitar depois de ter comido 3 kg daqueles queijos mal-cheirosos. E no entanto, sempre que passo por uma de raparigas (sem entrar, atenção!), quase que cheira a rosas. Não sei o que é que o pessoal vai fazer para a casa-de-banho, mas valha-me o Sonasol!

Depois, entrar numa casa-de-banho masculina é como fazer um safari à mente colectiva de um grupo de chimpanzés. Quer dizer, que os chimpanzés me perdoem, acredito que sejam capazes de fazer um gesto tão simples como puxar o autoclismo, mas preciso de algo para insultar para este bando de energúmenos. Olha, energúmenos funciona bem.

Bem, aquilo que acontece é que vê-se de tudo. Papel higiénico colado em todo o sítio? Check. Enormes massas castanhas a boiar na água da sanita? Check. Um cheiro nauseabundo que se entranha nas roupas? Check. Coisas disformes e assustadoramente irreconhecíveis que conseguem a proeza de parecerem absolutamente nojentas e absolutamente nojentas ao mesmo tempo? Check. A tampa do sabonete a boiar numa das sanitas? Check. Enfim, podia aqui ficar o resto da semana, mas tenho mais que fazer, e aposto que mais de metade das pessoas que começaram a ler isto já se foram embora.

sexta-feira, março 11

City von Containern II

Ainda só tive 2 dias de aulas nos famigerados contentores e já desenvolvi toda uma nova e resplandecente gama de ódios.

Por exemplo, normalmente pouco ou nada ligo às vestimentas das outras pessoas. Pouco me importava com o facto de esta ou aquela rapariga estar de saltos altos ou de coisinhas horríveis com nome de bruxinha adolescente. Pois bem, isso mudou, e de que maneira! Actualmente até prefiro que venham descalças, a empestar perfumar a escola com o cheiro a chulé rosas, do que virem de saltos altos.

É que é uma das coisinhas mais irritantes que eu já vi, ombro a ombro com areia dentro dos calções da praia. Gajas de salto alto, no primeiro piso dos contentores, NÃO dá bom resultado. Nos contentores em baixo ouve-se um portentoso TOC TOC TOC TOC, que ressoa por todo o lado, fazendo tremer o próprio âmago de quem o ouve e sente.

Por isso vos peço, encarecidamente, que deixem os saltos altos em casa. Eu empresto-vos uns ténis, uns chinelos, qualquer coisa, mas não levem saltos altos. Por favor.

Ah, e no que toca a alunos amacacados, aqueles que conseguem ser um insulto tanto para os alunos como para os próprios macacos, por favor deixem-se a vocês mesmos em casa. Se há coisa que também não me faz falta por lá, são os vossos gritos e gemidos e bramidos e parvoíces e manias e tudo o resto!

quinta-feira, março 10

City von Containern I

Deu-se hoje na escola uma mudança deveras agradável. Em virtude das obras na escola já estarem a decorrer, todos os 900 e qualquer coisa alunos foram trasladados para as chamadas "instalações provisórias", os relativamente famosos monoblocos. Ou, como eu e toda a gente carinhosamente lhes chama, os contentores.

Não quero com isto dizer que se parecem com contentores do lixo, nada disso! São mais do estilo daqueles contentores de carga marítima. Só que em vez de cheirarem a peixe, cheiram a ovelhas que se seguem umas às outras, num círculo interminável de estupidez e parvoíce acentuada.

Mas bem, é uma mudança para melhor. Como já disse, estas instalações são meramente "provisórias", que é como quem diz "até as obras acabarem", data que, dependendo do sexo da pessoa a quem se perguntar, tanto é "daqui a 14 meses" como é "um dia destes, agora é que não, que dói-me a cabeça". Depois destas instalações, iremos ter direito a uma escola topo de gama, verdadeiramente espectacular, futurista, com aspecto de casa de jogador de futebol extravagantemente rico, com direito a materiais topo de gama...

É claro a expressão "topo de gama" tem significados diferentes em "escola topo de gama" e em "materiais topo de gama". Uma espécie de polissemia que só faz sentido dentro da minha cabeça. No primeiro caso refiro-me a uma escola do caraças, verdadeiramente espectacular; já no segundo, refiro-me a materiais gamados, já que pela altura em que está previsto o fim das obras (daqui a 14 meses, evitei as gajas, desta vez) provavelmente não vai haver dinheiro para comprar livros de ponto, quanto mais computadores todos tecnologicamente avançados e outros materiais que tais.

Ah, e já referi que vos menti um bocadinho? Ora vejam: "iremos ter direito a uma escola topo de gama". AH!, bela piada, não sei como é que deixam passar estas coisas! Conseguem apanhar a mentira? Façam de conta que eu sou a Dora a Estereótipo e procurem por ele.

...

Ora, lá está ele! Muito bem apanhado! A parte do "iremos" é mentira. Pois é, uma vez que tenho o azar de ser um rapaz moderadamente inteligente que não tenciona chumbar, acabando assim o 12º (LOGO À PRIMEIRA VEZ, MINHA NOSSA SENHORA, QUE ABERRAÇÃO DA NATUREZA!!!!), só irei ter mais... 3 meses nesta escola. Ficam a faltar uns estrondosos 11 meses, quase tanto tempo quanto o tempo que uma criança demora a nascer numa telenovela. Ou seja, não apanho a escola nova.

Fico-me mesmo pelos Containern.