domingo, junho 7

Nómada

Tenho de confessar que fiquei agradavelmente surpreendido. Stephenie Meyer, a autora da saga Crepúsculo, tem uma escrita simples, mas cativante. Quando este livro primeiro saiu, nem lhe dei muita atenção, por ser da mesma escritora que escreveu o Crepúsculo e sequelas. Essa tetralogia era (e é) tão popular que até chateia. Tantos maluquinhos por aquilo, 'ai o meu Edward, aiaiaiaiai'. E a história nunca me pareceu ser assim alguma coisa de especial. Vampiro gosta de mortal. Complicações óbvias. Pouco mais que isso. Uma espécie de Romeu e Julieta, versão gótica. Pelo menos é o que me parece pois nunca li nenhum desses livros.

Nómada, quando vi a sinopse, chamou-me a atenção.  Duas "pessoas" no mesmo corpo, debatendo-se com a partilha dos sentimentos uma da outra. Isto sim, é uma história que chama a atenção. E embora estivesse um bocado apreensivo quando o comecei a ler, tenho de dizer que gostei. É realmente uma história diferente, e conta com alguns pontos positivos, pelo facto de ser contada na 1ª pessoa, embora a parte que eu mais gostei, tenha sido a parte onde a história é contada na 2ª pessoa do plural! Num momento em que as duas "pessoas", se "sincronizam", o eu passa a nós. E isso sim, é original.

A história assenta numa base simples: uma espécie alienígena invade vários planetas, incluindo a Terra, e usa os corpos dos seus habitantes como hospedeiros. E é através dos olhos de um desses hospedeiros "possuídos", que a história nos é contada. A hospedeira é Melanie Stryder, e a Alma que a ocupa é Nómada. Só que, ao contrário do que é normal, a mente da hospedeira não deixa o corpo, conseguindo falar por pensamentos com Nómada, e partilhando ou bloqueando as suas memórias à Alma que habita o seu corpo.

Sendo a espécie invasora, mais do que pacífica, e simpática e bem-intencionada com toda a gente (uns secas, resumindo), os sentimentos avassaladores que Melanie transporta com ela no corpo partilhado com Nómada, são algo de novo e aterrorizante para esta última. Mas, no meio disto tudo, Nómada acaba por partilhar do profundo amor que Melanie sente pelo irmão mais novo, Jamie, e pelo namorado, Jared. Por causa deste sentimento, Nómada parte em busca dos dois, em parte persuadida por Melanie, em parte por vontade própria. Encontra-os a viver com um grupo de Humanos fugitivos, a viver numas grutas descobertas pelo tio de Melanie, Jeb.

Passado um período de difícil adaptação, Nómada é aceite no grupo, e participa nas tarefas diárias, e, embora Melanie continue apaixonada por Jared, a Alma apaixona-se por Ian. No fim, e depois de um dos Humanos morrer, e outro ser morto, e de começar a participar nos raides para ajudar a pequena comunidade, Nómada é mudada de corpo, contra a sua vontade, e continua a viver com aquele grupo.

O mais interessante neste livro? O confronto constante entre Nómada e Melanie, e entre os seus sentimentos e pensamentos. Convivendo no mesmo corpo, com Nómada a ter acesso às memórias da hospedeira, o que cada uma sente e pensa, começa-se a tornar difuso. Muitas das acções de Nómada são baseadas em sentimentos que ela não sabe se são dela, ou reminiscências das memórias de Melanie. Este estranho e brilhantemente escrito confronto mental e emocional, é o centro de toda a história, e aquilo que torna este livro algo digno de ser lido.

7 comentários:

By A. disse...

Stephenie Meyer rocks Dude!

Rui Bastos disse...

Este livro por acaso até é bom, agora nem venhas cá falar dos outros lol

Beky disse...

'Duas "pessoas" no mesmo corpo, debatendo-se com a partilha dos sentimentos uma da outra'... Hum... soa-me a 'Ar' de Geoff Ryman...

Rui Bastos disse...

achavas muito estranho se te dissesse que nunca ouvi falar disso? :S

Beky disse...

haha, é um livro :D e por sinal, da mesma colecção dos crepusculos e da nómada...

Rui Bastos disse...

O.O tenho que ir ver isso

Páginas de inspiração disse...

Eu amei este livro, li-o bué vezes.

visita meu blog tem lá um dos livros que eu tou a fazer, só queria a opinião sincera, de alguém de fora... xD

bjox