sábado, março 14

Nadar contra a corrente

Hoje fui a Leiria. Na viagem de regresso passei por Óbidos. Aquele sítio fascina-me, é quase que uma janela para os tempos medievais, com as suas muralhas a rodearem toda a cidade, e as suas ruas construídas segundo o declive que calhasse.

Mas depois decidiram fazer festivais. Assim de repente lembro-me de um que tinha a ver com os tempos medievais, e o do chocolate, que estava lá hoje. Claro que são muito giros, e gostei de lá ir, comprei uns pins e tal, mas acho aquilo quase um crime. A quantidade de pessoas que ali andava era simplesmente brutal! As ruas de Óbidos, já de si estreitas, tinham as barraquinhas a vender coisas, encolhendo ainda mais as ruas, e a quantidade de pessoas que por ali se acotovelavam fazia-as desaparecer. Isto só num dia! E o festival supostamente durava 2 semanas, e foi alargado para mais 2! Imaginem bem a quantidade de pessoas que por ali passa, a quantidade de lixo que essas pessoas por ali deitam, e a quantidade de estragos que por ali são feitos!

Vão às barraquinhas comer qualquer coisa, ficam com lixo nas mãos, chão com ele. O cigarrinho acabou, chão com ele. A pastilha já não tem sabor, chão com ela. "Olha que planta tão gira, vamos arrancá-la!". Certo, tudo coisas perfeitamente normais, e que quase toda a gente faz, embora não devesse. O problema está em ser no sítio que é, com a quantidade que é! As casas, que já são velhas, mais velhas parecem, e o chão fica sujo, mas horrivelmente sujo. Os vasos e canteiros ficam nus, sem as suas flores, arrancadas por turistas mais atrevidos.

A certa altura sentámos-nos para comer qualquer coisa. Por 4 ou 5 vezes o empregado nos perguntou se aquelas coisas eram para nós. Por 4 ou 5 vezes lhe respondemos que não. Por 4 ou 5 vezes dissemos que ainda faltavam as coisas. Por 4 ou 5 vezes nos responderam que já estava quase. Eu pedi gelado com chocolate quente. E, vá lá, isso veio, embora passado uma boa meia hora. Gelado de chocolate com chocolate quente... há 2 horas! Sim, o chocolate quente, era chocolate, que, por muito, estava morninho já a puxar para o frio. Enfim, é daquelas coisas.

Finalmente vim-me embora. Sentia-me um peixe a nadar contra a corrente. Aquilo parecia a fila para ir comprar bilhetes para a Hannah Montana, mas sem a fronha dela estampada em todo o lado. Era pior do que quando toda a gente no hipermercado quer determinado tipo de carne, e já só há 3 pedaços. Uma selvajaria.

2 comentários:

van der Woodsen disse...

Não digas mal de Óbidos, é uma cidade fantastica, e os festivais sao brutais. Adoro ir às feira medieval, e se nunca lá foste, provavelmente ias gostar. É tudo o que descreveste aí, mas as pessoas estão todas mascaradas ao tempo medieval, A comida e o cenário são completamente à século XIV e nem os leprosos faltam. (Adoro as coroas de flores que eles vendem). Falaste na feira do chocolate, que é a minha perdição, mas não falaste na Vila Natal, que se realiza em Óbidos todos os anos pela época natalícia. Para quem nunca foi, aproveito (ao contrário do estimado blogger) para fezer um pouco de propaganda ao turismo no nosso país. A Vila Natal, é exactamente como em pequenos nos descreveram a Lapónia. Duendes a fazerem presentes, barracas com bengalinhas de açucar, correio do Pai Natal, e claro, o próprio Pai Natal. Casinhas de chocolate, pistas de gelo, até neva! É de facto um recuar à infância :D

Resumo: Óbidos Rocks!

Rui Bastos disse...

PUBLICIDADE ENGANOSA! Ok, eu esqueci-me da Vila Natal, mas isso ainda piora a situação, continuo a achar um grande crime, tudo isto!